É formado por alunos de mestrado e doutorado da Pós Graduação em Memória Social e Patrimônio da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), com a orientação do Dr. Javier Lifschitz.
Cláudia Lora- Sua pesquisa é análise na roda de “samba de roda”, manifestação praticada pela população afrodescendente do recôncavo baiano.No espaço da roda do samba de roda, a dança, a música e as vezes a religião interagem para formar uma unidade, favorecendo a comunhão com o corpo social e individual. Os participantes estabelecem uma comunicação a través do corpo, da música e da oralidade, que vai se transmitindo de geração em geração. Esse conhecimento herdado é vital na memória dessas sociedades afro baianas. As rodas de samba tem sido também, espaços de resistência cultural, ambientes que não são só lugares de diversão e relaxamento, como também de contenção cultural em todos os níveis: social, religiosa, política, etc. Neste sentido, este trabalho reconhece o profundo valor das manifestações dancísticas e musicais para o conhecimento da memória social dos povos afrodescendentes não só do Brasil, como também da América Latina e do Caribe, já que elas transmitem saberes ancestrais e expressam a criatividade e a reflexão sobre temas que lhes são significativos.
Juliana Bonomo Pesquisa as quitandeiras do interior de Minas Gerais: um estudo da trajetória das expressões da identidade regional e do patrimônio cultural imaterial. O objeto de estudo dessa pesquisa são as quitandas, definidas por pelo ensaísta Eduardo Frieiro como a pastelaria caseira (incluindo-se aí os bolos, biscoitos, roscas, broinhas, sequilhos etc) assim como o ofício das quitandeiras enquanto as fabricantes e vendedoras desse produto. Inserida nos estudos de Memória Social, Identidade e Patrimônio Cultural, a pesquisa pretende investigar como acontece a apropriação simbólica das quitandas e do ofício das quitandeiras no discurso da identidade regional, como o Estado intervém nessa construção e porque e em que momento o poder público passou a tratar a culinária típica como um bem cultural. Para tanto, além de uma revisão bibliográfica sobre a história do ofício e da culinária típica mineira, será feita uma pesquisa de campo nos municípios em torno do Circuito do Ouro, entre eles: Ouro Preto, Congonhas, Entre Rios de Minas e São Brás do Suaçuí.
Frank Wilson Roberto- Sua Pesquisa Comunidade de Tarituba, Tradição e Transformação. Esta se localiza no distrito de Paraty no sul do Riode Janeiro. Portadora de uma vigorosa tradição cultural, caracterizada pela devoção à Santa Cruz e pela animação das festas através das cirandas, conjunto de danças que tomam a comunidade, composta majoritariamente por caiçaras. As transformações que vem ocorrendo ao longo dos últimos 50 anos, primeiramente através da ruptura de um isolamento geográfico e maior contato com a zona urbana da região sudeste e a posteriori pelo acesso de pesquisadores e demais agentes externos, vêm alterando de forma significativa suas tradições culturais. Algumas etapas deste processo podem ser claramente identificadas, pois são narradas pelos moradores da comunidade como a participação do grupo de cirandeiros na gravação do disco da Campanha em Defesa do Folclore Brasileiro, da Funarte, nos anos 70; a locação da cidade para a gravação de uma novela; o contato da comunidade com grupos de pesquisadores de universidades do Rio de Janeiro; a organização da comunidade para a elaboração de um livro/CD sobra suas tradições e mais recentemente a opção pela transformação das cirandas em ponto de cultura através de edital do Ministério da Cultura.
Thaís Rosa Pinheiro Pesquisa a comunidade do
Quilombo do Campinho da Independência, localizada em Paraty, no sul do Estado
do Rio de Janeiro.Foi a primeira comunidade quilombola a criar seu próprio
projeto de turismo desenvolvida por seus moradores através da atuação de
agentes externos. Esta iniciativa é de grande importância para a preservação da
memória e da identidade local. As transformações na identidade dessa comunidade
vem ocorrendo desde o processo de titulação de suas terras e a atuação de
pesquisadores, ONGS e agentes externos do governo, vem alterando de forma
significativa suas tradições culturais. O objetivo deste estudo é analisar o
processo de reconstrução da identidade quilombola através da atuação de agentes
externos e perceber como a comunidade constrói sua identidade a partir do que é
oferecido aos turistas.






